30/12/10

Questões. Questões. Questões. Sempre o mesmo ruído de trituradora. Sempre a violência hiperbólica do sempre, sem relativismo algum. Pela estrada de asfalto regressam as máquinas aos putativos destinos. Rolam sem questões.

25/12/10

"Du hast kein Herz, Johnny, und ich liebe dich so.... " Lamenta-se Lotte Lenya por sobre a música de Kurt Weill. Sem coração ficaram todos os que gritaram por um amor que não vem. Prossigamos para a demolição do muro e para a abolição do mural interdito. "Ich gab dir mehr, Johnny... du Hund."

24/12/10

Tombou a torre, reduzido ficou o risco de ruir o edifício. Une-se o tecto ao pavimento, em casamento de conveniência tornado paixão suprema. União forçada gerou amor improvável. Provas sem acusação. Tomba a torre, pisa a Lua com vontade de lutar.

23/12/10

Vê-se o barbeiro, no interior da barbearia, como em tempos idos. Espera o barbeiro gente. Espera a gente por um pedaço de maná que sacie, para além da mais robusta dúvida. Rosto liso, ventre plano. A espera irá saciando a voragem do tempo.

22/12/10

Veio o tirano retirar o véu. Cobria o véu a face da urbe. Morta a inocência, despida pela soberba, sobreviveu o amontoado de casas sem gente viva e o poder despótico tomou conta de nada. Glória em vão, liberdade automática.

21/12/10

Foscas luzes, foscas mentes. Mentes, fosco, sem lentes para o entendimento. Fica-se a razão por um simples movimento de rotação sem divindade nem volteios. Uma desventura sem fome saciada. Comamos pão fosco.

20/12/10

Todos os filhos de nuvem sabiam que haveriam de ficar sem mãe. Vem do senso comum essa ideia de que a família não se escolhe. Ficaram sem mãe. A condensação lha levou. Descanse em paz.
Matar formigas em cima de uma bancada de cozinha. Destruir estruturas sociais organizadas, como as das formigas. Impunemente destruir, vício despudorado, exploração dos fracos.