07/08/11

Coisas de pouca monta se fizeram grandes por fertilização madura. Bombas que explodem sem que se lhes veja a face de dejecto. Tudo infame, sem poderes de druida, tudo arde pelo poder do fogo fertilizado na varanda de um apartamento com vista sobre campo de futebol da periferia urbana.

Cintura apertada por roupa estreita, bola a flutuar sobre baliza com vista para apartamento confortável, a cheirar a canela e a sapatos velhos. Pintem a fachada, façam explodir os mistérios a cheirar a mofo.

05/03/11

I
Enquanto a humanidade degusta gelado de maçã e sexo insaciável ao raiar do dia, saliva a serpente com humano banquete no seu Éden, em paz com a maçã, militante do Desejo, devota de Arte Sacra. Criemos urgentemente maçãs a partir de costelas da serpente e gelados a partir das maçãs e dominaremos a face da Terra.Será perfeito, o dia seguinte da revolucriação.


II
Cantando espalharei por toda a parte: Deus, o Bom Deus, Magnífico Reitor do Universo, Todo Feito de Maiúsculas e Fortes Movimentos Cósmicos, adormeceu a serpente num torpor profundo de prazer, retirou-lhe do corpo uma das costelas e transmutou o osso em gelados de maçã. Oremos: Deus pagará direitos de autor.

02/03/11

No bengaleiro, as bengalas. Amontoadas, sem botões nem manual de instruções, jazem frias. No frigorífico, leite e seus derivados, uma pescada, meio limão. O reino da conservação pelo frio está próximo. Unamo-nos. Refrigeremo-nos.

16/02/11

Dizer que sim ou não como forma de escolher lados, contar espingardas, cravar os cornos na parede mais fácil. Touros sem raiva dão toureiros ridículos e esvaziados do poder de chegar à glória com um ferro inútil na mão. Olé!

16/01/11

Raiva de não controlar a respiração sequer, respirar por interposta pessoa. Cobardia extrema, explosão iminente, febre hemorrágica da alma impotente. Epidemia radical sem honra nem remédio. Às armas, contra os canhões.

07/01/11

Ligado a uma máquina, debita som regular, cadência de órgão vital. Regular cilindro amansa o asfalto quente, máquina poderosa com cadência desconhecida. O asfalto, outra vez, sempre o asfalto. Cilindro irregular, presa fácil da máquina do som. Revolta cilíndrica em curso.

01/01/11

Organização de armário com gavetas. A gaveta contém o que é gavetável. O que não é próprio de gaveta é assinalado sob forma de pontos específicos no mapa. Atlas na prateleira da estante. Atlas de gaveta. Passo a passo, na gaveta, planisfério organizado.

30/12/10

Questões. Questões. Questões. Sempre o mesmo ruído de trituradora. Sempre a violência hiperbólica do sempre, sem relativismo algum. Pela estrada de asfalto regressam as máquinas aos putativos destinos. Rolam sem questões.

25/12/10

"Du hast kein Herz, Johnny, und ich liebe dich so.... " Lamenta-se Lotte Lenya por sobre a música de Kurt Weill. Sem coração ficaram todos os que gritaram por um amor que não vem. Prossigamos para a demolição do muro e para a abolição do mural interdito. "Ich gab dir mehr, Johnny... du Hund."

24/12/10

Tombou a torre, reduzido ficou o risco de ruir o edifício. Une-se o tecto ao pavimento, em casamento de conveniência tornado paixão suprema. União forçada gerou amor improvável. Provas sem acusação. Tomba a torre, pisa a Lua com vontade de lutar.

23/12/10

Vê-se o barbeiro, no interior da barbearia, como em tempos idos. Espera o barbeiro gente. Espera a gente por um pedaço de maná que sacie, para além da mais robusta dúvida. Rosto liso, ventre plano. A espera irá saciando a voragem do tempo.

22/12/10

Veio o tirano retirar o véu. Cobria o véu a face da urbe. Morta a inocência, despida pela soberba, sobreviveu o amontoado de casas sem gente viva e o poder despótico tomou conta de nada. Glória em vão, liberdade automática.

21/12/10

Foscas luzes, foscas mentes. Mentes, fosco, sem lentes para o entendimento. Fica-se a razão por um simples movimento de rotação sem divindade nem volteios. Uma desventura sem fome saciada. Comamos pão fosco.

20/12/10

Todos os filhos de nuvem sabiam que haveriam de ficar sem mãe. Vem do senso comum essa ideia de que a família não se escolhe. Ficaram sem mãe. A condensação lha levou. Descanse em paz.
Matar formigas em cima de uma bancada de cozinha. Destruir estruturas sociais organizadas, como as das formigas. Impunemente destruir, vício despudorado, exploração dos fracos.